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domingo, 29 de abril de 2012

PORTA DE BANHEIRO



PORTA DE BANHEIRO

 

                Quem já usou um banheiro público sabe que as portas dos banheiros de shoppings e de outros lugares freqüentados pelas massas são verdadeiros “livros”. Nelas se escreve de tudo: de frases religiosas a mensagens marcando encontros lascivos e obscenos.    
                O sanitário, aliás, banheiro é uma expressão equivocada já que ninguém toma banho nos shoppings e nem na maioria dos lugares públicos, é um dos locais mais privados e íntimos. No sanitário ninguém está lhe vendo, por isso você é você mesmo.
 Estudando a psicologia dos indivíduos percebemos que as pessoas possuem duas identidades: a pública e a privada. Os sanitários são os locais por excelência onde se manifesta esta última, nele as pessoas são exatamente quem são, tiram as máscaras.
                As portas dos sanitários, sobretudo, dos masculinos (nunca entrei no feminino para ver) são verdadeiros painéis nos quais se anunciam serviços, marcam-se encontros, fala-se mal das pessoas e propaga-se a fé. Eis aí um grande meio de comunicação!
                Vez por outra alguém se lembra de lembrar aos que escrevem nas portas dos banheiros que isso é vandalismo e crime.  Destruir o patrimônio público ou particular constitui-se em crime embora os “escritores”, encobertos pelo anonimato, desprezem este fato.
Às vezes algum usuário dos banheiros públicos escreve uma mensagem direcionada aqueles que lêem as mensagens escritas nas portas dos sanitários. Algo do tipo: “vão ler um livro”; e o usuário seguinte completa: “leiam Augusto Cury”.
Trata-se do caráter bibliográfico e “erudito” das portas dos banheiros públicos. Ou seja, nas portas dos banheiros as pessoas expressam as suas preferências livremente desde as culturais e religiosas até as sexuais.
Aliás, estas últimas (as sexuais) são as mais comuns e encontradas em quase todos os banheiros. Algumas são bem específicas e detalhadas, outras mais genéricas e outras ainda desbocadas e agressivas. As portas do banheiro revelam o tipo de gente que por eles passa!
Quanto a alguns religiosos, ao que tudo indica os livros sagrados nada dizem sobre o “pecado” de depredar o patrimônio alheio, pois alguns se sentem muito a vontade para escrever mensagens evangelísticas nas portas dos banheiros. Será que Deus concorda? 
Uma delas dizia o seguinte: “leia a Bíblia, fique tranqüilo, Deus está no controle”. Um segundo usuário completou escrevendo “assim seja”, um terceiro foi mais além e disse “Jesus te ama”, por último um cético com certa dose de cinismo fechou dizendo: “e o pastor te engana”.    
O sanitário nivela as pessoas. Por ele passam ricos e pobres, feios e bonitos, cultos e ignorantes, crédulos e céticos. Ninguém, por melhor que seja, pode evitá-lo, pois o que nele se faz é feito por todos; e nisso ninguém é melhor do que ninguém.
                Este aspecto de painel que tem a porta do banheiro torna o sanitário um perfeito espaço democrático (força de expressão, escrever nas portas é crime), pois nele todos têm direito de falar, ainda que falem os mais absurdos impropérios. Na maioria dos casos, teria sido melhor ficar calado.  
                                                                                                                           

  André Pessoa
                   

domingo, 15 de abril de 2012

EMPADA DE GENTE



EMPADA DE GENTE

Por mais que estejamos habituados com os crimes brutais e hediondos que todos os dias enchem as páginas dos jornais e telejornais sensacionalistas, alguns nos causam espanto e repúdio pelo requinte da crueldade. O ser humano sempre se supera em matéria de loucura e violência!
Nesta semana ficamos todos estarrecidos com a prisão em Garanhuns de um grupo composto por três pessoas e acusado de canibalismo. Como se matar a vítima, tomar o seu sangue e comer parte dos corpos não fosse suficiente, um dos acusados confessou ter usado a carne das pessoas mortas para rechear empadas e coxinhas.
Afinal de contas, que mundo é esse no qual estamos vivendo? O que leva o ser humano a praticar crimes tão funestos e absurdos como estes? Que motivação há por trás de crimes perpetrados com tanta violência como estes que foram descobertos em uma pacata cidade do agreste pernambucano?
O crime em questão não deve ser visto como um caso isolado e desconectado do mundo e da sociedade que eu e você compomos como cidadãos comuns. Eu não sei se você percebe, mas nós já vimos este tipo de crime antes: nos filmes que nós assistimos aos domingos enquanto comemos pipoca acomodados calmamente no sofá de casa.
Embora o tipo de crime em questão nos pareça absurdo, exótico e longe da nossa realidade, ele nos é bastante familiar. A loucura dos esquizofrênicos da seita Cartel que agora parece nos assustar é a nossa preferida na hora de escolher o filme que assistiremos no final de semana.
O sadismo dos loucos assassinos de Garanhuns que tanto nos incomoda é o mesmo que aparece em filmes como “o albergue”, “jogos mortais”, “autópsia” e outros do gênero não acham? Precisamos entender de uma vez por todas que “a vida imita o vídeo”.
As barbaridades que estamos presenciando são em parte produzidas pelas mesmas pessoas que se horrorizam com elas. O crime se globalizou e a realidade resolveu materializar no mundo real a violência brutal que jorra como sangue pela tela dos nossos aparelhos de TV encharcando as nossas mentes com a “água suja” da perversão humana.
O que mais choca no crime em questão não é o mero ato de canibalismo perpetrado pelo grupo em questão, mas é a motivação do crime. Não estamos apenas diante de um ritual antropofágico comum e nem muito menos de um crime praticado por pessoas desesperadas e famintas, e sim de loucos que recheiam salgados com carne humana!
Aqui a loucura e a perversão atingiram níveis insuportáveis e nos deram um sinal daquilo que veremos de agora em diante. Crimes como o de Realengo e o de Garanhuns irão se multiplicar à medida que a população vai enlouquecendo “calmamente” e a lentidão das autoridades para detectar a existência dos criminosos favorece a ação dos mesmos.
Quando analisamos pormenorizadamente as partes deste quebra-cabeça ficamos estarrecidos e amedrontados. A impressão que temos é que a não-adaptação de alguns à vida em sociedade misturada à loucura produzida pelas demandas do mundo contemporâneo é capaz de produzir aberrações indizíveis.
Os desenhos e os textos escritos por um dos criminosos apontam como sempre para a confusão mental que mescla religião, sensualidade, crítica a sociedade e elementos patológicos difíceis de compreender. A mente do louco-criminoso é uma espécie de colcha de retalhos com muitas faces, algumas bastante bestiais.
O crime em questão é tão pesado e inimaginável que até mesmo escrever sobre ele é uma tarefa penosa, por isso preciso terminar o texto agora a fim de me recompor. Mesmo já tendo visto todo tipo de atrocidade ainda nos assustamos com a violência sádica e sem limites do ser humano.
Atos de violência deste tipo nos assustam porque interrompem de forma brutal a vida de pessoas comuns que foram atraídas por promessas de emprego ou qualquer outro tipo de ganho fácil e acabaram se tornando vítimas de loucos da pior natureza. É preciso estar atento, pois tudo é possível em um mundo que produz empada de gente.

André Pessoa

domingo, 1 de abril de 2012

UNIVERSO X MUNDO


UNIVERSO X MUNDO

Quando o Império Romano começou a ruir no início do século IV da era cristã, um dos primeiros sinais da sua queda foram as lutas e contradições internas. Os líderes romanos não mais se entendiam e a baderna tomou conta daquela grande potência.

A ambição e a corrupção dos governantes e generais romanos implodiram o império por dentro fazendo com que a grande potência do mundo antigo fosse destruída. A queda é maior quando se é grande!

Entretanto, a decadência do império romano gerou as condições ideais para o surgimento de uma nova potência: o cristianismo. A Europa entregue as invasões bárbaras buscou na igreja a ajuda e o refúgio contra a violência do mundo medieval nascente.

Hoje, dezessete séculos mais tarde, é a igreja e não o já extinto império romano que está entrando em colapso por causa das divisões internas e da arrogância e corrupção dos seus líderes. O cristianismo está se desintegrando por todo o mundo rapidamente.

Talvez seja difícil acreditar naquilo que estou dizendo quando os canais de TV estão todos ocupados com programações religiosas católicas e também protestantes. Mais só um "olho treinado" consegue enxergar que essa é a melhora da morte, um indício do fim próximo.

No Brasil, a falência da igreja dita evangélica tem encontrado a sua expressão máxima na luta titânica entre o bispo Edir Macedo e o "apóstolo" Valdemiro Santiago. Eles representam respectivamente a igreja Universal do Reino de Deus (UNIVERSO) e Mundial do Poder de Deus (MUNDO).

Ao que tudo indica, o bispo Edir Macedo não está nada satisfeito com o fato de o MUNDO (Igreja Mundial do Poder de Deus) está querendo se tornar UNIVERSO (Igreja Universal do Reino de Deus). O crescimento da Igreja Mundial do Poder de Deus incomodou o bispo Macedo.

Estamos diante de uma grande e maligna batalha pelo poder, não o de Deus, mas o poder sobre o mercado evangélico. Os crentes se transformaram em um nicho de mercado e Edir Macedo e Waldomiro lutarão até o fim pelos lucros que desse segmento comercial advêm.

Apesar de se intitularem igrejas cristãs, o exemplo que essas "igrejas" estão dando não tem nada de cristão. Essa é uma guerra renhida da qual fazem parte a violência, os demônios, a ambição e as formas ilícitas de enriquecimento.

Nessa guerra vale tudo, até mesmo entrevistar um "demônio" que em uma reunião da Igreja Universal disse ter acabado de chegar da Igreja Mundial. Só mesmo a alienação em último grau não permite que as pessoas que freqüentam estes "cultos" percebam que estão sendo enganadas.

Quem diria que em menos de 40 anos as igrejas ditas neopentecostais cresceriam tanto a ponto de hoje se constituírem grandes potências religiosas que atraem as massas sedentas de milagres e facilidades? O crescimento da igreja também significará o seu fim!

As igrejas neopentecostais cresceram a partir da década de 70 acompanhando o florescimento dos bolsões de pobreza. Onde existem muitas pessoas pobres e doentes também há necessidade de milagres e curas, coisas que estas igrejas oferecem como mercadoria aos fiéis.

Na disputa pelos crentes que fazem de tudo para serem "curados", vale tudo, desde vender rosa ungida (Edir Macedo) ou toalha com suor milagroso (Waldomiro). É um espetáculo com características medievais; em breve alguém venderá também lascas da cruz de Cristo!

Enquanto isso, a igreja Católica assiste a tudo em silêncio e espera a disputa entre Edir Macedo e Waldomiro se tornar mais renhida, pública e escandalosa para aparecer dizendo que é a única igreja verdadeira. Contudo, todos são da mesma essência!

A história da igreja cristã é a história da divisão e do desentendimento. De um lado católicos brigam com protestantes, mas também entre si, apostólicos romanos contra ortodoxos; ninguém se entende nem mesmo dentro do vaticano.

Do outro lado, evangélicos tradicionais e pentecostais vivem se digladiando. Entre os próprios pentecostais, há uma luta entre velhos e novos pentecostais (neopentecostais) que jamais se entendem mesmo nas questões mais elementares.

Os membros das igrejas pentecostais dizem que os das igrejas tradicionais não são crentes porque não acreditam no "batismo com o espírito santo", estes afirmam que aqueles não são crentes porque são fanáticos. É uma verdadeira Torre de Babel com muitas línguas diferentes!

Se essas igrejas fossem de fato cristãs jamais lutariam entre si como fazem os reinos e as nações mundanas. Se a igreja dita cristã fosse realmente cristã, seguiria os passos daquele que teoricamente as inspirou e saberia através da leitura da Bíblia que "um reino dividido não subsiste".

André Pessoa



sábado, 24 de março de 2012


JESUS E PROMETEU

Sempre que afirmo em alguma conversa que as narrativas de feitos sobrenaturais como criar o homem a partir do barro, abrir o mar ou ressuscitar os mortos são míticas, percebo certa hostilidade e aflição em alguns olhares. Alguns acham que mito é sinônimo de mentira.

Na verdade, as narrativas míticas não são exatamente mentiras na acepção mais literal da palavra. O mito é uma forma imaginativa e acrítica utilizada para explicar a origem de alguma coisa para a qual o homem do mundo antigo não possuía explicação.

Os mitos eram narrativas sobrenaturais da origem das coisas feita em público pelo poeta-rapsodo, considerado um porta-voz dos deuses. A credibilidade de uma narrativa mítica resultava do fato do poeta-rapsodo falar “em nome dos deuses”.

Os tempos mudaram, a história correu como um rio no leito do tempo, mas os “poetas-rapsodos” que “falam em nome de Deus” continuam por aí. É um erro acreditar que narrativa mítica é coisa do passado; basta ligar a TV para ver que o mito é algo muito atual.

Falar dos livros ditos sagrados em termos de mitologia parece ofender o crente que em nenhum momento ousa colocar o conteúdo dessas escrituras a prova. Entretanto, aceite ou não os fiéis, nos livros religiosos como a Bíblia predomina a linguagem e a narrativa mítica.

A maior parte dos textos considerados canônicos (inspirados) está repleta de mitos. Isto significa que provavelmente nunca saberemos com certeza qualquer coisa sobre o início do mundo, o aparecimento do homem ou a verdadeira identidade de Jesus.

A criação do mundo por Deus, o Adão feito do barro e o Jesus fabuloso dos evangelhos são tentativas de resgatar um passado longínquo e indecifrável que não volta mais e que fica cada vez mais enterrado na história com o passar dos anos. O mito é a negação desse fato.

Qualquer ser humano honesto o suficiente para deixar de lado os preconceitos, perceberá, mesmo em uma leitura rápida da Bíblia, que esta contém inúmeras narrativas míticas. Algumas muito semelhantes aos mitos sumérios, persas e gregos.

Basta ao cristão ler a Epopéia de Gilgamesh, o Enuma Elish ou o mito grego de Deucalião (o Noé helênico) para identificar as inúmeras semelhanças entre estes e as narrativas contidas no livro do gênesis. Por este motivo, é insano da parte do cristão criticar outras religiões chamando-as de pagãs.

Uma coisa que o fiel cristão não sabe e que pastores e padres não ensinam nos estudos bíblicos dominicais é que a Bíblia e o cristianismo são uma colcha de retalhos, a mais “pagã” de todas as visões religiosas. A exclusividade dos textos bíblicos só existe na imaginação da pessoa devota!

A impressão que temos ao ler as narrativas míticas das diversas culturas do mundo antigo é que existia uma espécie de molde literário dos mitos dos quais fazia uso a maioria dos povos da antiguidade. Algo parecido com um formulário igual para todos, no qual apenas os nomes dos personagens são mudados.

Neste “formulário” constavam mitos como a história do irmão que mata o outro (Caim e Abel, Rômulo e Remo), do herói lançado nas águas do rio (Moisés e Sargão), do sobrevivente do dilúvio (Noé e Deucalião) e assim sucessivamente. O molde era usado por todos!

Um exemplo perfeito daquilo que neste texto está sendo afirmado são as semelhanças entre a história do Jesus dos evangelhos e o mito de Prometeu, o titã grego. Ambos amam os homens e resolvem favorecê-los ainda que para isso tenham que pagar um alto preço.

Prometeu roubou o fogo dos céus e presenteou os homens com ele; Jesus semelhantemente sacrifica-se pelos pecadores. Prometeu foi condenado por Zeus a ter o fígado bicado por uma ave durante toda a eternidade. Jesus recebe a morte dolorosa na cruz!

Não satisfeito com o castigo imposto a Prometeu, Zeus envia uma mulher, Pandora, com uma caixa que depois de aberta faz entrar o mal no mundo. Seria o Prometeu dos gregos o Jesus dos cristãos e seria a Pandora dos gregos a Eva dos hebreus? Provavelmente.

André Pessoa

sábado, 10 de março de 2012

TATUAGENS


TATUAGENS

Alguns especialistas no assunto afirmam que a tatuagem existe a mais de 2 000 anos. Segundo os mesmos experts no tema, as tatuagens já foram usadas para vários fins: identificar criminosos, dar destaque a figuras importantes da sociedade, identificar os membros de uma mesma tribo e etc.

No Brasil, a tatuagem provavelmente só chegou de forma profissional no início da segunda metade do século XX. Nem mesmo os decretos papais ou os estereótipos que taxaram de marginais as pessoas tatuadas foram suficiente para impedir o avanço dessa prática que se torna cada vez mais comum em todo o mundo.

A cada dia que se passa o uso de tatuagens parece mais generalizado e avança na direção de todas as faixas etárias e classes sociais. Jovens e adultos, ricos e pobres, homens e mulheres; a tatuagem não distingue credo, gênero ou etnia, parece ser um fenômeno universal.

Talvez, entre as muitas explicações possíveis para o uso generalizado de tatuagens, o desejo que as pessoas possuem de ser identificadas com os símbolos que tatuam no corpo seja a alternativa mais plausível. Entretanto, é bom que se diga, a tatuagem deve expressar o que o indivíduo é, e não o que ele deseja ser.

Quando esse critério não é observado por aqueles que tatuam o corpo, o resultado é um repúdio por parte das outras pessoas que é o reflexo de uma óbvia incompatibilidade entre o símbolo tatuado na pele e o perfil do portador da tatuagem. Existem tatuagens apropriadas e inapropriadas para cada indivíduo.

Existem tatuagens com temas antigos, novos e inusitados. Algumas expressam o passado, outras o presente, e outras ainda o futuro. Em geral, as tatuagens usadas pelas pessoas mais idosas (existem exceções, é claro) contêm símbolos que pouco ou quase nada significam para os jovens.

Quanto às tatuagens usadas pelos jovens, na sua maioria, são mais agressivas e extravagantes do que aquelas usadas pelas pessoas mais velhas. Os jovens gostam de usar tatuagens que expressem a vitalidade da qual são portadores (leões, águias, cavalos alados e outras são bastante usadas).

Ao contrário dos homens, as mulheres gostam de borboletas, anjos, flores e outras tatuagens com temas mais amenos. Obviamente existem sempre exceções a esta regra, entretanto, tal e qual um cientista social, eu estou aqui fazendo generalizações para tornar o tema mais compreensível.

O local onde a tatuagem é feita também varia de acordo com o gênero. Os homens gostam de tatuar os músculos mais proeminentes do corpo, quanto às mulheres preferem tatuar as zonas erógenas como a virilha, as costas, a região um pouco acima das nádegas e outras mais (nesses casos, a tatuagem é quase um convite!).

Quanto mais antiga a tatuagem, mais simples o desenho. Esta característica das tatuagens nos permite entrever uma evolução histórica dos desenhos que avançaram progressivamente das famosas âncoras tatuadas nos bíceps dos marinheiros do século XIX até os complexos desenhos de figuras mitológicas que ocupam o corpo dos jovens do século XXI.

Dependendo do caráter do indivíduo e da posição ocupada na sociedade, as tatuagens podem estar totalmente amostra ou escondidas nos recônditos mais secretos do corpo que só um elevado grau de intimidade pode revelar. Imaginar a forma e o lugar onde as tatuagens podem ter sido colocadas é um exercício sensual e excitante para aqueles de imaginação mais fértil!

Embora eu não seja um especialista no assunto, a minha experiência como observador do comportamento humano me diz que existem alguns critérios que devem ser observados por aqueles que desejam fazer uma tatuagem, caso não queiram arrepender-se amargamente de tê-la feito. Tatuar-se é uma decisão para toda a vida.

Em primeiro lugar, saiba que é a tatuagem que lhe escolhe e não você que escolhe ela. Como foi dito no início, a tatuagem deve expressar o que você é, e não aquilo que você deseja ser. O símbolo que pode ser tatuado no seu corpo e que você carregará por toda a sua vida, irá lhe “perseguir” incansavelmente e você saberá intuitivamente identificá-lo.

Por último, saiba que uma tatuagem para cumprir a função de ser parte de você e não algo estranho, um antígeno que não tem qualquer relação como o seu corpo, deve expressar a sua essência. O que é a essência de uma coisa? A essência de uma coisa é aquilo que faz essa coisa ser ela mesma e não outra coisa.

André Pessoa