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quinta-feira, 21 de abril de 2011

UM COELHO RESSUSCITADO






UM COELHO RESSUSCITADO

Minha filha disse ao chegar em casa que um dos seus professores afirmou criticamente que a comemoração da páscoa levava-nos quase a crer que um coelho e não um homem havia sido crucificado em Jerusalém a quase dois mil anos atrás. A afirmação choca exatamente pelo absurdo da imagem.
Passei então a construir a cena em minha mente: uma cruz é erguida no gólgota por alguns centuriões romanos com cara de sádicos e enquanto isso algumas mulheres se abraçam e choram de longe assistindo horrorizadas o madeiro ser erguido contendo, vejam só, um coelho!
Mas se você acha absurda a cena do comedor de cenouras sendo submetido à crucificação e tendo um dos seus lados traspassados pela lança de um soldado romano, imagine quão estranho seria ver um túmulo vazio, alguns soldados atônitos e as mesmas mulheres da cena anterior gritando eufóricas: “ele está vivo, o coelho ressurgiu, aleluia!”.
Às vezes só imaginando bobagens do gênero podemos vislumbrar o quanto o senso comum e os interesses materiais transtornam a verdade sobre as coisas. O verdadeiro sentido da páscoa se perdeu no tempo e hoje é somente a lembrança de uma história longínqua que nada tem a ver com o consumo de ovos de chocolate que só fazem engordar.
Henry de Thoreau disse em um dos seus livros que o comércio torna impuro tudo aquilo que toca e que até mesmo a venda de mensagens religiosas é perniciosa. O objetivo materialista da semana santa corrompe a lógica pascal em três frentes: distorce o conhecimento desse acontecimento, a sua natureza e o seu valor.
Pergunte a uma criança o significado da páscoa e o máximo que ela fará será ficar encabulada e lhe sorrir com cara de coelho. Pode ser também que ela aponte para o ovo comido pela metade encima do móvel da sala e esconda o rostinho envergonhado atrás das mãozinhas pequenas.
“Os pais comeram as uvas e os dentes dos filhos é que ficaram embotados”. A não compreensão do significado e do valor da páscoa é uma espécie de “maldição hereditária”. Nós não sabemos o que isso significa e as nossas crianças por tabela também não. Teremos que comer muito ovo de chocolate ainda para nutrir o capitalismo e a vã religião.
Aliás, vacilamos confusos entre duas percepções equivocadas do que seja a páscoa. De um lado a lógica ritualista vazia religiosa que diz que não podemos comer ou tocar certas coisas durante certos períodos, mas só durante certos períodos (no resto do ano pode). Do outro, uma distorção mercadológica completa que transformou Jesus em um coelho ressurreto.
É preciso questionar radicalmente tudo o que conhecemos sobre a páscoa, ir até a raiz das coisas, buscar o fundamento de tudo o que fazemos; afinal de contas, somos racionais ou não? Por favor, não me critique ainda. Não estou lhe pedindo que seja frio e sem sentimentos, apenas quero lembrar-lhe que os historiadores nos chamam de homo sapiens (homem que sabe).
Seria pedir muito a um ser que é por natureza pensante que parasse para pensar um pouco? Acho que não. Gostaria que você aproveitasse o feriado prolongado da páscoa e fizesse um exercício: procure descobrir a razão de tudo o que está fazendo e daquilo no que está envolvido. Você constatará, para a sua grande surpresa, que faz um monte de coisas sem saber exatamente o porquê (Karl Marx chamou isso de alienação).
Não estou lhe pedindo para dá uma de ativista do PSTU e adotar uma postura iconoclasta de esquerda - ser panfletário é ridículo - apenas sugiro que você analise minuciosamente aquilo que as tradições lhe ensinam para não acreditar em fábulas que contam histórias de coelhos que põem ovos.
Se você esperava que eu encerrasse este texto discorrendo sobre o real significado da páscoa, se enganou. Não estou aqui para ensiná-lo, mas para motivá-lo a buscar o conhecimento por suas próprias forças. Aliás, histórias sobre coelhos, ovos de chocolate e interdições acerca do consumo de carne em certos “dias santos” já existem demais. A minha seria só mais uma!



André Pessoa

2 comentários:

  1. Para você, André Pessoa, inimigo das coisas de Deus, que pensa que na IURD só tem o que não presta, veja mais um trecho de uma história bonita que achei no blog do pastor da Universal:

    Quando Roger Alexandre Novaes dos Santos tinha 12 anos, seu pai abandonou sua casa e, em consequência disso, faltou alimento. O jovem Roger tentou até conseguir um emprego, mas, devido às más companhias, passou a usar drogas e praticar pequenos furtos.

    Com o passar do tempo, começou a fazer assaltos maiores. Até que um dia, em um assalto, foi preso pela polícia e foi levado para a Fundação Casa do Brás UIP-8, e depois transferido para UI-36. Foi quando ele começou a frequentar as reuniões de quinta-feira, às 8h, da Igreja Universal do Reino de Deus, e conheceu o Senhor Jesus através da obreira Francisca, da IURD Bela Vista, que o levou a conhecer de fato e verdade o amor do Senhor Jesus.

    Quando teve a liberdade, Roger, a princípio, não quis ir para a IURD. Com o passar do tempo, uma noite ele começou a chorar muito e lembrou-se do voto que fez com o Senhor Jesus na Fundação Casa. No dia seguinte, procurou uma IURD e se batizou. Hoje é um auxiliar da IURD para honra e glória do Senhor Jesus.

    HOJE ESTE RAPAZ SERVE A DEUS NA IGREJA UNIVERSAL DO REINO DE DEUS E É UM HOMEM TRANSFORMADO. MINHA INTENÇÃO É MOSTRAR QUE LÁ NÃO EXISTE SÓ COISAS QUE NÃO PRESTA, (SEGUNDO VOCÊ). EXISTEM COISAS BOAS TAMBÉM, E É NELAS QUE TEMOS QUE NOS APEGAR.

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  2. tao inteligente o autor deste blog, que alem de tudo e professor.. e uma pena q use sua inteligencia para o mal.

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