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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

ROUPAS DO MEU TAMANHO



ROUPAS DO MEU TAMANHO


As religiões são importantes quando estamos dando os primeiros passos na vida espiritual. Pastores e padres podem ser comparados a babás que cuidam de bebês chorões e egoístas que ainda não sabem diferenciar a mão esquerda da direita.
Os sacerdotes só são necessários àqueles que ainda não sabem andar com as próprias pernas. Da mesma forma, os dogmas e as proibições são necessários a quem não conheceu de fato o eterno.
As religiões são como cabrestos usados para conter cavalos ainda não domados. Elas ferem exatamente quando lutamos contra elas, forçando-as a nos libertarem. As religiões são prisões que procuram conter homens incontidos.
Elas são o jardim da infância da espiritualidade porque os seus objetivos e meios são egocêntricos e materialistas. Os fiéis em geral oram e rezam pedindo “bênçãos” que representam apenas coisas palpáveis e tangíveis que em nada fazem deles melhores do que já são.
Uma vez fui a um lugar visitado por muitos peregrinos que ali pagavam os seus votos e depositavam objetos confeccionados com certos materiais moldáveis que representavam “bênçãos” alcançadas. Perdi-me em meio a um mar de pernas e braços de cera, pequenas casas de madeira, carteiras profissionais e etc.
Pelo tipo de objetos encontrados ali pude ver em que pensam os fiéis e o que pedem a “deus”. Os olhos dos religiosos estão postos na terra, não mais no céu. O último cristão morreu quando o Cristo suspirou e entregou a vida no calvário!
Em muitos casos as religiões potencializam a maldade e a hipocrisia latente no indivíduo. Uma vez em contato com o mundo religioso e com um deus que só existe na mente de quem o criou, certas pessoas tornam-se piores do que eram antes.
Em nome de deus cometem crimes e roubam as pessoas. Aliás, não existe crime mais hediondo do que aquele praticado em nome de um dogma religioso, perverso e fútil ao qual os assassinados não quiseram se dobrar.
A Bíblia, o Alcorão ou qualquer outro livro religioso em nada modifica o interior da maior parte das pessoas que os lêem, mas apenas o exterior. A religião não oferece “cura para as principais doenças” que assolam a humanidade.
O apóstolo Paulo, depois da sua conversão, continuou sendo um legalista representante da cultura patriarcal judaica da mesma forma que Inácio de Loyola apenas transferiu para o âmbito religioso as práticas militares que antes norteavam a sua vida de soldado. Ambos ajudaram a criar um monstro que Jesus nunca quis trazer à luz!
O altar, os santos, a leitura da Bíblia e os dogmas são como a morfina que alivia a dor, mas não cura o moribundo. As igrejas são os únicos hospitais nos quais as pessoas não têm alta e continuam doentes por toda a vida!
O homem religioso, com raríssimas exceções, é apenas um egoísta e supersticioso mais dócil; nada mais. No cristianismo, por exemplo, deus tornou-se um banco e os cristãos os seus clientes, bons e educados, mas ainda assim meros clientes.
Entretanto, um dia os homens crescem e já não mais cabem nas roupas que são usadas no mundo religioso. Eu mesmo já me despi delas e estou tecendo as novas vestes que devo usar. Preciso de roupas que sejam exatamente do meu tamanho!
André Pessoa

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