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sexta-feira, 1 de outubro de 2010

O MITO DE EDUARDO



O MITO DE EDUARDO


Eduardo Campos tornou-se um mito no sentido mais contemporâneo da palavra. Os mitos no mundo contemporâneo servem para canalizar anseios, medos e desejos da sociedade em determinada direção, explica a filosofia.
Entretanto, para obter este resultado e ser eficiente, parte da história dos mitos deve ser escondida e anulado o seu lado mais humano. Aos olhos da massa ignorante os mitos devem parecer perfeitos, belos, infalíveis e superiores ao próprio tempo. Os mitos não envelhecem.
Além de todas estas características, o sucesso de um mito depende em última instância da carência e da fragilidade intelectual de um povo. O povo pernambucano, tal e qual a torcida do Santa Cruz, da qual eu também faço parte, é sofrido e carente, o que o torna suscetível às estórias da carochinha.
Só a carência, o sofrimento e as limitações intelectuais do povo explicam o sucesso absoluto de Eduardo Campos nas pesquisas de opinião. Conheço a política pernambucana e posso afirmar com convicção que o mito do político perfeito criado em torno da figura de Eduardo Campos é algo novo e que não passa de uma ilusão.
Eduardo nunca foi, não é e nunca será esse governador perfeito que estão dizendo que ele é. Alguém se lembra do escândalo dos precatórios? Será que não estamos diante de um ídolo que tem os pés de barro, uma espécie de santo do pau oco? Não tenho dúvida que sim!
Aliás, comparo a relação de Eduardo Campos com o saudoso Miguel Arraes, guardadas às devidas proporções, muito semelhante à relação entre Dilma e Lula. Com uma diferença é claro: Dilma invoca um vivo, Eduardo invoca um morto.
Não digo isso para desmerecer a memória do lendário Miguel Arraes a quem muito estimo, mas para denunciar um tipo de campanha política que engana os desavisados. As pessoas não suportam mais serem passadas para trás e tratadas como grandes bebês chorões e idiotas. A política brasileira está na UTI!
Além dessa ajuda do mundo sobrenatural, Eduardo também conta com os favores da natureza que resolveu agraciá-lo com olhos claros que seduzem o eleitorado feminino com certa facilidade. Uma delas me disse: “Os olhos do governador ficam mais azuis durante a campanha”. É a política oftalmológica do Duda!
A garantia do sucesso do Dudu deve-se ao mito do governador que faz tudo aquilo que promete. No Brasil, político cumprir aquilo que prometeu durante a campanha é algo tão raro que aqueles que o fazem são considerados grandes vultos populares, quando na verdade estão apenas cumprindo o seu dever. Em terra de cego quem tem um olho é rei!
É interessante como aquilo que deveria ser a regra tornou-se uma valiosa exceção. Qual é o papel do governador senão cumprir o que prometeu? O que há de tão especial nisso? Não é para cumprir o contrato que fez com o povo durante a campanha que o político é eleito? A ficha do político não deve ser sempre limpa? Então, por que o assombro com as promessas cumpridas e com as fichas limpas?
Três são os pilares sobre os quais se edifica o mito de Eduardo Campos: a saúde, a educação e o concorrido Porto de Suape. A saúde continua um caos, a educação pública é melhor não comentar, e Suape ninguém sabe se é filho de Eduardo ou de Marco Maciel. Talvez um exame de DNA resolva.
Um médico amigo meu disse-me que a situação no Hospital da Restauração continua desesperadora; quanto á educação, duas professoras que eu conheço me disseram que estavam abandonando o ensino público porque o salário não compensava; e os navios de Suape provavelmente serão usados para a população da mata sul embarcar e fugir das enchentes quando os rios transbordarem de novo. É a arca de Noé, ou melhor, é a Arca do Eduardo.
O que me chama mais à atenção no mito do Eduardo é que ele transformou-se no “melhor do mundo” repentinamente, do dia para a noite. Há pouco tempo atrás ele era apenas um deputado comum e conhecido apenas por ser parente de Miguel Arraes e “filho do Chico Buarque”. Ah, ah, ah, “pai, afasta de mim esse cálice”!
De repente... KATAPLAN! O homem comum desaparece e entra em cena o mito, o “melhor do mundo”. Nunca foi tão eficaz construir hospitais e UPAS. Opa, mas será que as UPAS funcionam mesmo? Alguém se arrisca? Eu não, melhor continuar pagando o plano de saúde.
Eu não sei exatamente porque, mas tenho a impressão que estão querendo me enganar.

Comparo os “benefícios” do governo do Eduardo Campos com algumas tribos indígenas que vivem isoladas no interior da mata amazônica: eu nunca vi, mas dizem que existe. “Há algo de podre no reino da Dinamarca”.

André Pessoa

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